A Síndrome do Olho Seco é uma das condições mais frequentes em consultórios de oftalmologia. Ocorre quando os olhos não produzem lágrimas em quantidade suficiente ou quando a qualidade do filme lacrimal está comprometida, deixando a superfície ocular exposta e mal protegida.
Com o aumento do uso de telas digitais, o olho seco tornou-se ainda mais prevalente — piscar menos os olhos durante o uso de computadores e celulares acelera a evaporação do filme lacrimal.
Quais os sintomas do olho seco?
- Ardência, queimação ou coceira nos olhos
- Sensação de areia ou corpo estranho
- Vermelhidão ocular frequente
- Visão embaçada que melhora ao piscar
- Lacrimejamento paradoxal (o olho seco irrita e provoca lágrimas reflexas)
- Desconforto ao usar lentes de contato
- Piora ao ar condicionado, vento ou ambientes secos
Quais são as causas?
O olho seco pode ter origem em diversas causas, frequentemente combinadas:
- Evaporativa — a mais comum. Disfunção das glândulas de Meibomius, responsáveis pela camada lipídica da lágrima
- Aquosa-deficiente — produção insuficiente de lágrimas pelas glândulas lacrimais
- Fatores ambientais — ar condicionado, ambientes secos, telas digitais
- Medicamentos — anti-histamínicos, antidepressivos, diuréticos
- Doenças sistêmicas — Síndrome de Sjögren, artrite reumatoide, lúpus
- Pós-operatório — cirurgia refrativa a laser pode reduzir temporariamente a sensibilidade corneana
- Envelhecimento — a produção lacrimal diminui naturalmente com a idade
Como é feito o diagnóstico?
Teste de Schirmer
Avalia a quantidade de lágrima produzida. Uma tira de papel filtro é colocada na pálpebra inferior e mede a umidificação ao longo de 5 minutos.
Break-up Time (BUT)
Mede o tempo que leva para o filme lacrimal se romper após um piscar completo. Valores abaixo de 10 segundos indicam instabilidade lacrimal.
Coloração com fluoresceína e lisamina verde
Corantes especiais que revelam áreas de dano na superfície ocular (córnea e conjuntiva), permitindo classificar a gravidade da doença.
Análise das glândulas de Meibomius
Com equipamento especializado, avaliamos a morfologia e a função das glândulas palpebrais responsáveis pela camada gordurosa da lágrima.
Como é feito o tratamento?
Lágrimas artificiais
Colírios lubrificantes são a base do tratamento. Existem diversas formulações — géis, gotas e pomadas — escolhidas conforme o grau de secura e o estilo de vida do paciente. Prefira fórmulas sem conservantes.
Higiene palpebral e compressas mornas
Fundamental nos casos de disfunção das glândulas de Meibomius. A compressa morna amolece as secreções e a massagem palpebral restaura a função das glândulas. Recomendamos 10 minutos diários.
Anti-inflamatórios tópicos
Colírios à base de ciclosporina A ou lifitegraste reduzem a inflamação da superfície ocular e aumentam a produção lacrimal a longo prazo.
Oclusão dos pontos lacrimais
Pequenos plugues (tampões) são inseridos nos canais de drenagem lacrimal para reter a lágrima natural por mais tempo na superfície do olho. Procedimento simples e indolor.
Mudanças de hábitos
Reduzir o tempo de tela, lembrar de piscar conscientemente, umidificar ambientes e usar óculos com proteção lateral ao vento são medidas simples que fazem grande diferença.
O olho seco é uma condição crônica, mas controlável. Com o tratamento adequado, a grande maioria dos pacientes obtém alívio significativo dos sintomas e melhora da qualidade de vida.