Uveíte

Inflamação ocular de causas infecciosas ou autoimunes. Diagnóstico preciso e tratamento especializado para preservar a visão.

A Uveíte é a inflamação da úvea — a camada vascular intermediária do olho, composta pela íris, corpo ciliar e coroide. É uma das principais causas de cegueira evitável no mundo e representa uma das condições oculares de maior complexidade diagnóstica e terapêutica.

Embora menos conhecida do que outras doenças oculares, a uveíte é responsável por 10 a 15% de todos os casos de cegueira nos países desenvolvidos e afeta predominantemente pessoas em idade produtiva.

Quais são os sintomas?

Os sintomas variam conforme a localização da inflamação:

Uveíte Anterior (Irite/Iridociclite) — a mais comum

Uveíte Posterior (Coroidite/Retinocoroidite)

Panuveíte

Inflamação de toda a úvea, combinando sintomas anteriores e posteriores. Forma mais grave, frequentemente associada a doenças sistêmicas.

Quais são as causas?

Infecciosas

Autoimunes / Associadas a doenças sistêmicas

Idiopáticas

Cerca de 30 a 40% dos casos não têm causa identificável após investigação completa.

Como é feito o diagnóstico?

Exame à lâmpada de fenda

Exame fundamental. Permite visualizar células inflamatórias no humor aquoso (câmara anterior) e vítreo, precipitados ceráticos na córnea e sinéquias (aderências) na íris.

Mapeamento de retina

Avalia acometimento da coroide e retina, áreas de necrose, exsudatos e neovascularização.

OCT e Angio-OCT

Detectam edema macular cistóide — complicação frequente e causa de perda visual permanente nas uveítes.

Investigação sistêmica

Exames laboratoriais (VDRL, FAN, HLA-B27, PPD, sorologias, raios-X de tórax) e encaminhamento para reumatologista ou infectologista conforme a suspeita diagnóstica.

Como é feito o tratamento?

Corticoides

Base do tratamento anti-inflamatório. Podem ser usados em colírios (uveíte anterior), injeções perioculares ou intravítreas (uveíte posterior e edema macular), ou via oral/intravenosa nas formas graves e sistêmicas.

Midriáticos / Cicloplégicos

Colírios que dilatam a pupila, aliviam a dor e previnem sinéquias posteriores (aderência da íris ao cristalino).

Imunossupressores

Nas uveítes crônicas ou refratárias aos corticoides, medicamentos como metotrexato, azatioprina, micofenolato e agentes biológicos (adalimumabe) são empregados para controlar a inflamação a longo prazo.

Tratamento da causa de base

Toxoplasmose ativa é tratada com antibióticos específicos; herpes, com antivirais; tuberculose, com tuberculostáticos. O controle da doença sistêmica é essencial para a remissão ocular.

A uveíte pode recidivar e causar complicações como catarata, glaucoma e edema macular. O acompanhamento regular com o oftalmologista — mesmo nos períodos de remissão — é fundamental para preservar a visão a longo prazo.

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Perguntas sobre Uveíte respondidas pelo Dr. Fernando Kamei e Dra. Catarina Kamei

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